As drogas que atuam sobre o sistema nervoso central são as chamadas
"psicotrópicas". Este termo é composto de duas partes: psico - que
significa o nosso psiquismo (o que sentimos, pensamos e fazemos) e
trópico - que relaciona-se ao termo tropismo, ou seja, "ter atração
por".
Drogas psicotrópicas são, portanto, aquelas que atuam sobre o nosso cérebro, alterando nossa maneira de pensar, sentir ou agir.
As alterações provocadas pelas drogas no nosso psiquismo não são sempre
no mesmo sentido e direção, mas dependem do tipo de substância
consumida.
Dependendo da ação no cérebro, as drogas psicotrópicas podem ser
divididas em três grandes grupos: as depressoras, as estimulantes e as
perturbadoras.
As depressoras diminuem a atividade cerebral, ou seja, deprimem seu
funcionamento e, por essa razão, são chamadas de "depressoras da
atividade do sistema nervoso central" (SNC). A pessoa que faz uso desse
tipo de droga fica "desligada", "devagar", "flutuando". São exemplos
delas o álcool, os soníferos ou hipnóticos, os ansiolíticos, os opiáceos
ou narcóticos e os inalantes ou solventes.
A drogas estimulantes aumentam a atividade do cérebro e recebem o nome
técnico de "estimulantes da atividade do SNC". O usuário fica "ligado",
"elétrico". Entre as drogas deste tipo encontram-se a cocaína, o crack, a
nicotina (presente no cigarro), a cafeína e as anfetaminas.
As drogas perturbadoras não produzem mudanças do tipo quantitativo, como
aumentar ou diminuir a atividade do cérebro. Elas fazem com que esse
órgão passe a funcionar fora de seu normal, ou seja, a pessoa fica com a
mente perturbada. São também chamadas de alucinógenas. Por essa razão,
esse terceiro grupo de drogas recebe o nome técnico de "perturbadoras da
atividade do SNC". Algumas drogas deste tipo são de origem vegetal como
o THC (contido na maconha), a mescalina, certos tipos de cogumelos,
lírio, trombeteira, e outras são de origem sintética como o LSD-25, o
Êxtase (ecstasy) e os anticolinérgicos.
O cérebro possui bilhões de células (neurônios) se interligando das mais
variadas formas, promovendo a passagem de "informação" entre as
diferentes regiões do sistema. Quem possibilita que esses sinais sejam
enviados de um neurônio para outro são moléculas químicas, chamadas
neurotransmissores.
As drogas psicotrópicas, por serem também moléculas químicas, chegando
ao cérebro, atuam interferindo na engrenagem da química cerebral,
aumentando, diminuindo ou alterando a forma de atuação dos
neurotransmissores.
Segundo Jandira Masur*: "Euforia, sentir-se "apagado", mudança do humor,
intensificação dos sentidos, percepção de sons e visões são a tradução
comportamental da desorganização da química cerebral."
Mas, acrescenta esta autora, "essas sensações são consideradas boas por
alguns, desagradáveis ou indiferentes por outros. O que dita esta
diferença? Forma de ser, fatores culturais, características de
personalidade, circunstâncias específicas? A magia química não responde a
estas questões. Estão fora do seu limite. Entra-se aí no universo não
menos mágico da diversidade humana."
* Jandira Masur. 1985. O que é toxicomania. São Paulo: Editora Brasiliense.
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